terça-feira, 14 de outubro de 2008

Sair ou Não Sair?


Diversos autores do início do século 20 tentaram em vão, propor uma nova perspectiva dentro da Psicologia: o estudo do comportamento. Watson (1913) em seu manifesto tentou inaugurar um movimento que serviria como impulso inicial para a reforma da psicologia. Contudo, os frutos dessa empreitada acabaram gerando apenas uma nova “abordagem” do estudo psicológico, contando com uma minoria de adeptos fieis aos princípios de Watson. Sua metodologia ganhou mais espaço dentro da psicologia que a epistemologia. Psicólogos pesquisadores utilizam os métodos comportamentais para realizar suas pesquisas, entretanto, interpretam os dados sob uma ótica mentalista. O movimento falhou. Mas os preceitos da psicologia ainda precisam ser revistos e reformados. Seria o momento de tentar-se forçar novamente uma reforma? Ou seria o momento de partir para uma nova ciência, distinta e separada de fato da psicologia? O reformismo já falhou uma vez. Os “behavioristas” epistemológicos continuam sendo minoria e a perspectiva behaviorista vai de encontro à maioria dos conceitos absolutamente reconhecidos e aceitos pela população em geral (acadêmica ou não). Certo professor disse uma vez: “Cuidemos das gerações futuras para deixarmos decentes férteis”. Será tão simples? Apenas “catequizar” os jovens calouros dos cursos de psicologia? Há a alternativa do separatismo; que vantagens ela traria? Sejamos analistas do comportamento. Poderíamos conseguir estabelecer um Bacharelado em Ciências do Comportamento (Galvão, 2007), que, pela proposta original do professor Olavo, não seria uma profissão que competiria com a Psicologia. Mas vou propor que sim, que competisse. Todo “fiel” analista do comportamento acredita que possa fazer um trabalho mais eficiente que qualquer mentalista, então, suponhamos que de fato seja mais eficiente. Atualmente, quem procura um psicoterapeuta, em geral, não sabe a diferença entre uma abordagem e outra, sequer sabe que existem abordagens distintas. Todavia, se houver um tipo de “terapeuta” distinto do psicólogo, ele pode ter mais chances de ser visto como um profissional diferenciado do que trata o psicólogo. A população terá essas duas opções e poderá procurar uma ou outra aleatoriamente. Se os analistas do comportamento estiverem certos em sua abordagem do comportamento, solucionarão as demandas mais rápida e eficientemente: as respostas de “consultar o analista do comportamento” serão mais frequentemente reforçadas que as de “consultar o psicólogo”? Se sim, os analistas do comportamento perpetuaram a espécie e os psicólogos serão extintos. Bela utopia a minha, não? Não mencionei aqui o fato de que um curso que promova concorrência à profissão de outro curso já existente, provavelmente, não seria aprovado. Daí a estratégia de não se meter com o público-alvo da psicologia e ir atrás de outros “mercados”. Deixemos então que o futuro da psicologia siga seu curso na história e seja “infinito enquanto dure”?

Rubilene.

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Referências

Galvão, O. F. (2007). Bacharelado em Ciências do Comportamento: esboço de uma profissão de base transdisciplinar. Anais da 59ª Reunião Anual da SBPC. (Perdão pela referência incompleta).
Watson, J. B. (1913). Psychology as the behaviorist views it. Psychological Review, 20, 158-177.

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