quinta-feira, 19 de março de 2009

Behaviorism 1930


Charles Robert Darwin (1809-1882) foi, sem dúvida, um grande anti-bíblico. Não que ele tenha saído pelas ruas, batendo às portas das pessoas e bradindo "Queimem suas Bíblias! Queimem suas Bíblias!", mas acertou um gancho de direita no Criacionismo bíblico. Tudo bem que o soco não resultou em nocaute, na verdade, a luta nunca foi vencida por nenhum dos lados na sociedade científica e não científica. A Teoria da Evolução postula, simplificadamente, que as espécies evoluem, isto é, modificam-se através dos processos de variação e seleção natural. Contudo, sem as leis de Mendel (1822-1884), Darwin não tinha como explicar muito detalhada e convincentemente como esses processos aconteciam. Entretanto, ainda assim sua teoria era o "hit do verão" (Neves Jr., 2009) e muita gente do meio científico queria falar bonito e parecer atualizada, mas não necessariamente estava sendo fiel ao que Darwin propunha. Deturpações acontecem. E como acontecem. Se não fosse assim, este blog nem existiria. Mas voltando ao Darwin e às deturpações, a mais perigosa delas foi o chamado Darwinismo Social, que se atreveu a considerar que os humanos brancos eram mais "evoluídos" que humanos negros. Seriam belas se não fossem brutais as justificativas da dinâmica social em função da dominância de um grupo sobre outro. São belamente absurdas e fora de propósito. Assim é o racismo, que fora justificado tantas vezes por motivos religiosos, econômicos e, forçadamente, até científicos. Sim, a ciência, ou parte dela, já se sujeitou a compactuar com tais deturpações, as quais algumas vezes são submetidas a tentativas de correção por alguns renegados dessa ciência contaminada.

A figura acima foi extraída de um volume de "Behaviorism" de John B. Watson (1878-1958), edição americana de 1930 (publicação original em 1924). Os grifos foram feitos pelo antigo dono em época bem anterior aos tempos atuais. Repare na indicação em vermelho, na parte que diz "All mammals (including negroes) are XXXX equal". Repare também nas demais anotações, que parecem ter sido anotadas por serem informações incrivelmente pioneiras e reveladoras. Sim, o autor do grifo provavelmente achou importante anotar que negros têm as mesmas capacidades que outros humanos com desenvolvimento normal. Pena que essas informações que podiam ser facilmente "descobertas" no livro de Watson não chegaram às mãos de cada cidadão americano. O pensamento da maioria (branca) ainda era o de os humanos negros eram inferiores porque eles eram assim e ponto final. Nada que Watson pudesse mudar com sua ciência, é claro. O mundo não era e ainda não é o paraíso da ciência. Enquanto nosso pichador de livros anônimo lia em 1930 sobre comportamento humano em uma abordagem tão distinta do que se sabia ou se suspeitava sobre isso, o revolucionador do mundo negro americano estava ainda aprendendo a falar e a andar. Martin Luther King (1929-1968) "bateu nas portas", mas não para dizer "Queimem suas Bíblias", e sim para dizer "Leiam suas Bíblias, leiam a palavra de Jesus Cristo e amem ao próximo, sendo o seu próximo negro ou branco". E todos sabemos o que ele disse. E quem sabe o que Watson disse? Quem sabe o que Darwin disse? Talvez os cientistas não estejam cientes sobre o papel importantíssimo que podem exercer na sociedade. E quem se importa? O mundo já tem seus ídolos. Nunca deixamos de ser os "macacos totemistas" de certa fase de nossa evolução.

Em suma: Watson apresentou a igualdade pela ciência e é lembrado como o cientista malvado que assustava aquele bebezinho bonitinho (e branco), o "Pequeno Albert".
Luther King, que pregou a igualdade pelo "amor cristão", é um herói. Para haver evolução, é preciso haver seleção. Para haver seleção, é preciso haver variação dos organismos e do ambiente. O ambiente diz: Cientista mau. Pastor bom. Bem variado, não? Faça você o resto do jogo semântico. Segue a dica: tudo não passa de respostas verbais.

Rubilene.

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