Comportamento, cultura e sociedade

O que é preciso para ser um cientista? Entre muitas coisas, é preciso uma incessante curiosidade em entender como o mundo funciona. O verdadeiro cientista é aquele que tem sede de conhecimento, que é fascinado por esse belo Universo que funciona a sua maneira e que nos intriga com suas regularidades e mais ainda com suas irregularidades. O sonho do cientista é dispor dos melhores recursos (e dos melhores salários!) para se dedicar aos achados que desvendem mistérios que há milênios a humanidade tenta compreender. Mas nem só de vaidade pode viver a Ciência. O conhecimento científico moldou todos os parâmetros do que hoje conhecemos por civilização. A Ciência é mais do que o estudo contemplativo e curioso do que move o mundo, ela é o veículo de aprimoramento da sobrevivência humana, da quebra de fronteiras, seja da comunicação, da educação, da longevidade, da reprodução, da conservação do mundo que muitas vezes já foi agredido pelo “progresso”. O conhecimento científico está a serviço da sociedade, da população.

A Análise do Comportamento é uma ciência de nós mesmos, de como nos relacionamos com o mundo, de como o alteramos e somos por ele alterados. E como toda ciência, ela pode, deve e traz muitos benefícios à sociedade. Seus laboratórios produzem um mundo de conhecimento de como as relações interpessoais funcionam e geram, com isso, meios de alterar o mundo a favor de relações otimizadas em variados setores como Saúde, Educação, Justiça, Política etc.

A IV Jornada de Análise do Comportamento de Belém traz o tema “Comportamento, cultura e sociedade” na busca de discutir o papel social que a Análise do Comportamento desempenha dentro da realidade brasileira atual. Para isso, convidamos professores e outros profissionais experientes em suas áreas de atuação para apresentar à comunidade acadêmica de Psicologia discussões atuais do que a Análise Aplicada do Comportamento tem produzido em prol das demandas sociais onde a intervenção comportamental se faz necessária.

Agradeço a todos os convidados que aceitaram tornar esse evento possível e a todos os estudantes que enviaram seus trabalhos. E desejo a todos os inscritos uma excelente IV JAC Belém!


Atenciosamente,
Rubilene Borges
Gerente de Programação Científica da IV JAC Belém

O quanto sabemos de história?

Ainda é comum entre o currículo básico de psicologia ter-se uma disciplina introdutória à história desta disciplina. Os nomes por vezes podem variar (e.g. Sistemas e Teorias em Psicologia, Introdução à Psicologia), mas o foco principal é a discussão sobre temas de interesse histórico. Interesse histórico. Uma expressão típica que não colabora para o entendimento sequer mínimo do que é estudado, como, por que e por quem.


Este ensaio deve servir para esboçar uma reflexão preliminar sobre essas quatro questões (o que? Como? Por que? Por quem?), mas não seguirei necessariamente essa ordem de apresentação. Ainda assim, espero que a lógica dos argumentos possa ser suficientemente útil ao leitor.

Comecemos com o por que de se estudar história. Por que a maioria dos cursos de psicologia do Brasil tem uma disciplina com este enfoque? Por conta da tradição de pesquisa histórica ou pelo importância particular que a história da ciência psicológica tem para entender a diversidade de perspectivas e abordagens da psicologia? Acho que isso é, no mínimo, menos provável. Provavelmente a maioria de nós estudou história porque fomos obrigados.

Calouros "ingênuos" e empolgados com o novo mundo da universidade e curiosos por saber desta nova profissão (para alguns talvez a primeira e única), fomos conhecendo– talvez – um pequeno punhado de manuais de história da psicologia: Boring, Herrnstein, Marx, Hilliz, Schultz, duas vezes Schultz.

Algo como 100, 150 ou até 500 anos de história num compilado de algumas centenas de páginas. Quando ouvimos a narrativa histórica encadeada por alguns manuais, talvez a vida pareça um fenômeno estabelecido sobre parâmetros muito evidentes: a história das sociedades é a história das disputas econômicas e a história das ciências a história dos métodos e técnicas que nos aproximam da verdade.

É uma pena que nos pareça assim! A história é um campo do conhecimento que tem uma tradição de pesquisa pelo menos 2000 anos mais velha que as ciências modernas do século XVI e as discussões epistemológicas que ela guarda deveriam nos inspirar mais dúvida sobre o que fazemos como "história da psicologia" em nossas disciplinas básicas.

Escolher uma pequena lista de manuais de referência e discursar à frente de algumas dezenas de jovens "crus" lançados no caldeirão do mundo acadêmico dizendo que está-se ali ensinando sobre história é um equívoco que serve mais ao cumprimento de diretrizes político-administrativas do que à formação de profissionais com alguma qualificação significativa.

Mas não é mistério que se valer exclusivamente de aulas expositivas, neste contexto, está longe de ser a melhor solução se pretende-se ensinar história da psicologia. Então por que faz-se isso? Por que os professores de história da psicologia não tentam algo diferente? Porque não temos professores de história da psicologia!

Como se forma um historiador de ciências no Brasil? Na linguagem de um analista do comportamento: muito mais pela exposição direta à contingências do que pela aprendizagem social por imitação/modelação e/ou regras.

O que isto quer dizer? Usemos uma anedota. Um jovem professor de psicologia que construiu uma formação sólida conciliou sua área de atuação com o estudo constante (mas pouco sistemático) de tópicos teóricos sobre os diferentes sistemas da psicologia e algo sobre filosofia da ciência e a filosofia da mente (quem sabe até algo sobre filosofia da linguagem). Por seu rigor teórico (ou por necessidade financeira mesmo) este bom rapaz assume disciplina de história da psicologia. Que sonho! A chance de por seus conhecimentos à prova em uma disciplina nobre.

É uma pena, mas cedo ele descobre que sua satisfatória eloquência não satisfaz o critério de atratividade da maioria de seus alunos, que costumeiramente não acompanham as leituras sugeridas e pouco desafiam o conhecimento deste jovem mestre com perguntas interessantes. Então, o professor resolve propor uma avaliação em grupo em que os alunos devem apresentar um seminário sobre algum autor importante da psicologia ou mesmo uma escola psicológica inteira. O exercício de pesquisa e a oportunidade de autonomia de pensamento confortam o nosso sábio personagem que muito se desaponta quando vê seus alunos recitarem (por vezes entre soluços confusos pelo mal uso do léxico) as mesmas expressões, os mesmo jargões, os lugares comuns lidos nos próprios manuais usados na disciplina ou (na "era da internet") rigorosamente extraídos de uma sítio virtual qualquer.

O que esses alunos aprenderam? Uma lição que ainda é muito cara às nossas universidades: não é preciso aprender tudo (quiçá muito) para se formar. Ainda mais quando estamos tratando de assuntos históricos, filosóficos e/ou teóricos. Nós ainda temos muita dificuldade em ensinar uma história, filosofia ou fundamentos teóricos específicos que sejam realmente úteis e imprescindíveis à maioria dos nossos profissionais no Brasil.

Retomando o tópico original, isto pode se dar exatamente porque, no fim das contas, não ensinamos métodos de pesquisa histórica nem discutimos sobre os critérios que conduzem a construção das narrativas históricas. Ora, mas se vamos tratar de métodos e critérios de validação e verdade, então trataremos de metodologia e filosofia da ciência? Exato!

Parece que um dos primeiros passos para tornar útil, necessário e – talvez – imprescindível o conhecimento da história da psicologia é mostrar como ele é construído, por quem, analisar a lógica interna do discurso histórico em paralelo com a dinâmica sócio-histórica, econômica e cultural que a acompanha. Treinar os alunos a construir uma narrativa histórica, criticá-la, identificar seus alcances e limites são algumas das alternativa que podem fazer das disciplinas de história da psicologia de fato uma etapa à formação ética e crítica do profissional de psicologia.

E por que todo este trabalho é necessário? Manuais são mais um recurso útil à construção do conhecimento histórico, mas qual o alcance que eles tem? Que tipo de fontes históricas eles consultam? Com base em que critérios seus autores organizam seus dados? Será que a narrativa que é apresentada em um manual específico dá conta das particularidades do desenvolvimento histórico da psicologia em qualquer contexto regional em que ele é utilizado?

A essa última pergunta sabemos a resposta: não. E se os manuais não dão conta, e jamais darão (e isso não é "o" problema), é porque há campo para se conduzir pesquisas históricas e elas contribuíram efetivamente para esses novos estudantes de psicologia compreenderem "onde estão pisando",por que eles estudarão os conteúdos que estudarão e, possivelmente, eles próprios identificarão os limites de seu processo de formação e – com as bases de formação em pesquisa – expandirão o alcance de seus currículos por sua própria conta.

Espero que algo disso aqui lhes seja útil.

Um abraço,


Luiz Henrique Santana


P.S.: Como disse, este é um ensaio livre e por isso não me detive em apoiar-me sobre uma lista específica de referências. A sugestão de estudo que dou é que o leitor defina uma curiosidade histórica que possa ter e busque referências sobre ela (desde textos não especializados até artigos publicados em periódicos). Compare os argumentos, identifique o alcance e o limite de cada tipo de texto, descubra as fontes utilizadas e busque outras fontes possíveis para o mesmo tema. Isto provavelmente o ajudará a identificar as limitações de se estudar a história da psicologia como a fazemos.



Há outra metade da laranja?

Clássicos de ficção científica tem sido utilizados como referencial para discussões. É o caso de Laranja Mecânica, de Anthony Burgess e de Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley. Obras literárias nas quais se pode destacar dentre outras reflexões, uma forma de controle: o condicionamento reflexo/ respondente.

A teoria do reflexo é descrita a partir da concepção de que comportamentos são eliciados pelo efeito de um estímulo, tratando-se de uma relação do tipo S-R. Ou seja, na presença de determinado estímulo ambiental, p. ex., no caso de um sopro no olho, haveria a estimulação de órgãos sensoriais que produziriam uma resposta, que, neste exemplo, seria fechar os olhos (Baum, 2006).

O condicionamento clássico ou respondente foi descrito pelo fisiologista I. Pavlov por meio do pareamento de um estímulo incondicionado com um estímulo neutro (p. ex., luz, som, cheiro) de forma que este último também se torna "eliciador" da resposta induzida pelo estímulo incondicional (Baum, 2006).

Na figura 1, é possível verificar ilustrativamente o condicionamento de Pavlov.


Figura 1. Condicionamento respondente de Pavlov.

Sobre esta questão, tanto na obra Laranja mecânica, quanto em Admirável Mundo Novo observamos a utilização do procedimento de condicionamento respondente como medida para lidar com "problemas" da sociedade. No primeiro, o sistema carcerário e no segundo, a estrutura social.

A principal cena de Laranja Mecânica que envolve as consequências do condicionamento realizado é a que apresenta os resultados obtidos com o mal estar físico do protagonista Alex ao tentar agredir alguém ou ao tentar se envolver sexualmente com uma mulher. É feito um questionamento por um personagem na história que era padre sobre o benefício da sua utilização, na medida em que com essa técnica seria impedida a liberdade do indivíduo de escolher entre o certo e o errado e de conhecer essa possibilidade. No entanto, somos livres na medida em que estamos inseridos em uma comunidade verbal e social que delimita nossas escolhas.



Figura 2. Cena do filme Laranja Mecânica.

No caso de Alex, além do sofrimento produzido pelo próprio condicionamento, outros motivos para que esse condicionamento não tenha sido funcional na vida do personagem são: (1) ele foi solto sem nenhuma condição para se inserir novamente na sociedade (ao chegar em casa é expulso por seus pais; não tem possibilidade de emprego ou expectativa de futuro); (2) reencontra os membros de sua gangue, que lhe dão uma surra sem que possa se defender, pois sente o mal estar imposto pelo condicionamento; (3) teve uma das suas músicas clássicas preferidas pareadas com o mal estar físico (que chega a ser utilizada como tortura por uma de suas antigas vítimas).

Não foi apenas o condicionamento em si que prejudicou o personagem Alex e sua suposta falta de liberdade, mas também, a maneira como este foi reinserido, ou melhor, "jogado"na sociedade e os fatos que ocorreram na história, as tais "fatalidades" (as contingências em vigor após a saída da prisão, além dos pareamentos que haviam sido estabelecidos, que o limitaram ainda mais).

Em Admirável Mundo Novo, o condicionamento respondente era usado para formar os cidadãos ideais para aquela sociedade estruturada em favor da "Comunidade, Identidade e Estabilidade" (seu lema), portanto, o objetivo era manter todos sob controle, estáveis e eficientes. Os cidadãos, nesta realidade, são criados em laboratório por meio de processo de manipulação fetal que visa encaixar os indivíduos desde a formação embrionária para as funções que mais tarde exercerão pelo resto da vida.



 

Figura 3. Incubadora de Admirável Mundo Novo.



O condicionamento respondente utilizado conseguia induzir, p. ex., os indivíduos a não gostarem de leitura, por meio do pareamento de dor com a leitura, pois seria uma atividade de desperdício de tempo para a sociedade. Uma sociedade criada de forma que os indivíduos fossem condicionados a serem felizes no sistema vigente, que sofriam diversos tipos de pareamentos, dos quais nem se "davam conta".


As duas obras mencionadas foram publicadas uma em 1962 (Laranja Mecânica) e a outra em 1932 (Admirável Mundo Novo). Ambos foram criados em contextos históricos que indicam o porquê das diferentes visões acerca do uso do condicionamento respondente. O mais velho, de 1932, em um contexto em que os estudos dos reflexos e suas extensões com o condicionamento respondente estavam "na moda" para explicar os comportamentos. E o mais novo, mais crítico quanto ao seu uso.

Pode-se notar, portanto, o valor do estudo do reflexo e sua presença em obras literárias. O próprio B. F. Skinner, em meados da década de 30, buscava estudar comportamentos complexos e explicá-los a partir da teoria do reflexo, porém (e felizmente), sua explicação foi sendo reformulada até chegar à noção de operante (Cruz & Cillo, 2008). Mesmo assim, não se deve negar a importância do reflexo e do condicionamento respondente, claro.

É isso,

Izabel Brasiliense

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Referências

Baum, W. (2006). Compreender o behaviorismo: comportamento, cultura e evolução. Porto Alegre: Artmed (trabalho original publicado em 1994).

Burguess, A. (2004). Laranja mecânica. São Paulo: Aleph. (Originalmente publicado em 1962).

Cruz, R. N & Cillo, E. N. P. (2008). Do mecanicismo ao selecionismo: uma breve contextualização da transição do behaviorismo radical. Psicologia: teoria e pesquisa, 24(3), 375-385.

Huxley, A. (1980). Admirável mundo novo (trad. de Felisberto Albuquerque). São Paulo: Abril. Cultura (Originalmente publicado em 1932).




"HumanizaSUS" ou o SUS Humaniza?!?!

"[...]Por humanização compreendemos a valorização dos diferentes sujeitos implicados no processo de produção de saúde. Os valores que norteiam essa política são a autonomia e o protagonismo dos sujeitos, a corresponsabilidade entre eles, os vínculos solidários e a participação coletiva nas práticas de saúde [...]".

Eis o que o Ministério da Saúde, através da Secretaria de Atenção à Saúde, descreve em sua cartilha "Saúde e Trabalho",publicada em 2011. De fato, é uma redação aprazível de ser lida que, a uma primeira vista, parece descrever (mesmo que de forma bastante ampla) todo o necessário para que as diferentes ações e instâncias do SUS sejam atravessadas pela Política Nacional de Humanização (PNH), de forma a aparentar, ainda, que este é um processo de fácil estruturação. Ilustremos a nossa conversa com alguns dos quadrinhos expostos na cartilha supracitada:



A primeira indagação é realmente muito pertinente (e bastante presente no ambiente de trabalho do SUS). A resposta dada, entretanto, apesar de bem"apresentada", não descreveu, de fato, como se daria a operacionalização de tudo o que a personagem havia acabado de proferir, dando margem para a indagação da última pergunta do quadrinho.

A história segue com a exemplificação de um caso de marcação de consultas: de acordo com as regras da unidade de saúde, são agendadas apenas 10 consultas médicas por dia, deixando mais duas vagas "extras" para possíveis intercorrências; entretanto, o que geralmente ocorre no cotidiano da unidade de saúde é a existência de um número bem maior de casos extras para serem atendidos. De acordo com a cartilha, a solução do problema estaria (e isso já levando em consideração a PNH) na articulação realizada com cada médico para saber das suas disponibilidades para possíveis outros atendimentos no dia, disponibilidade esta nem sempre disposta por todos os médicos. Esta atitude de modificação da prescrição dos atendimentos do dia foi denominada de "fazer gestão do trabalho".

A partir da descrição deste caso, utilizemos a retórica a fim de aguçarmos um pouco mais a análise da situação: seria essa a solução mais adequada para o problema, uma vez que, além de envolver um custo alto de respostas da atendente que agenda as consultas (parar o que estiver fazendo, ir atrás do médico, convencê-lo de atender aos outros casos e voltar para dar o feedback para cada paciente), ainda estaria condicionada à disponibilidade (e "boa vontade") dos médicos? Se a situação de um número alto de intercorrências durante o dia já é mais comum do que aquela prescrita por quem organiza a unidade de saúde, por que não planejar outra estratégia de solução de problemas que condiza com a realidade da unidade? Será que "obrigar" os médicos a atenderem todos os pacientes (visto que as contingências em vigor em uma situação como essa contribuem para classificá-los como profissionais "desumanos" caso se recusem a atender todos os pacientes) é valorizar este profissional, de acordo com o descrito pela PNH? E, por mais que esta seja, de fato, uma medida aceitável para solucionar o problema, será que essas recepcionistas são devidamente treinadas (de forma a adquirir o repertório comportamental necessário para lidar com situações como essas, muitas vezes estressantes) para poderem ser cobradas como "auto-gestoras" do seu trabalho?

Sigamos nossa discussão observando mais esta tirinha:
 
 
 
Ora, se "não é para humanizar as pessoas, mas as relações", necessário é que se dê a devida atenção aos comportamentos emitidos por todos os envolvidos na realidade de uma unidade de saúde, de forma que passem a responder discriminadamente aos estímulos presentes neste contexto, aumentando ou diminuindo a probabilidade de emissão de determinados comportamentos.
 
Aí está o diferencial da visão de um analista do comportamento: não basta, apenas, que falas como "produzir relações mais humanas, relações mais saudáveis..."sejam proferidas; necessário é que uma análise funcional da situação (por mais complexa que seja, uma vez que envolve um número muito grande de variáveis) seja realizada para que intervenções mais precisas e eficientes sejam efetivadas.
 
Assim sendo, ao se observar o contexto da unidade de saúde exposto no exemplo supracitado, verifica-se um inchaço de atendimento aos usuários, o que gera (dentre outras coisas), na maioria das vezes, reclamações por parte destes, insatisfação dos médicos em ter que fazer hora extra para atender a todos, e desgaste do recepcionista para poder arrumar a agenda de atendimentos.
 
Objetivando solucionar esses problemas, uma série de medidas (partindo, primeiramente, da análise de toda a situação para uma posterior intervenção) poderia ser tomada, a saber: investigar os possíveis motivos de aquela unidade estar recebendo uma demanda grande de usuários (o que implica em, dentre outras coisas, fazer uma análise dos serviços prestados por outras unidades próximas e dos serviços prestados pelos próprios médicos da referida unidade, averiguando suas especialidades também), de forma a tentar encaminhar parte dessas pessoas para outros locais de atendimento; ter um maior conhecimento sobre a organização das escalas dos médicos para, dessa forma, conseguir melhor organizar os seus atendimentos; e propor à direção da unidade, caso averigue-se que seja realmente necessário, um aumento de carga horária desses profissionais de saúde ou mesmo dos seus dias de trabalho, objetivando atendimentos de qualidade para todos os usuários que buscam a unidade.
 
"Humanizar"deveria ser uma ação pautada muito mais em atitudes como essas acima descritas (que envolvem um compromisso bem maior com o trabalho, uma vez que tem por base a junção da pesquisa com a intervenção) do que em outras ações que aparentam, apenas, "remediar" a situação existente.
 
Outra medida que também pode ser adotada é a demonstrada abaixo:
 
 
 
Sem dúvida, rodas de conversa como essas também podem ser de grande valia para o aperfeiçoamento do trabalho que é realizado dentro de uma unidade de saúde, uma vez que propicia um espaço de diálogo e trocas de experiências que podem auxiliar na aprendizagem de novas estratégias para o desenvolvimento do trabalho. Entretanto, o que não se pode esquecer é que de nada adiantará todas as conversas e discussões travadas, bem como todas as mudanças especuladas a partir de grupos como esses, se não for dada a devida atenção ao ambiente de trabalho em si, às contingências em vigor ali dispostas, de forma que as ações de intervenção sejam pautadas em soluções pertinentes e exequíveis.
 
Que possamos, sim, dar o devido valor às políticas públicas de nossa Nação, mas que, para além disso, saibamos analisá-las criticamente, não nos deixando ludibriar por construções frasais bem feitas, de forma a contribuir com a sociedade da melhor maneira que podemos: como pesquisadores que atuam profissionalmente de forma ética.


Abraços humanos e humanizados!


Flávia Almeida


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Referência


Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Humanização e da Atenção e Gestão do SUS. (2011). Saúde e Trabalho. Brasília-DF.

Acerca dos chocolates que derretem

Percy Lebaron Spencer (1894-1970), um cara não muito famoso, foi o responsável pela versão comercial do micro-ondas. Digo versão comercial porque um dispositivo produtor de micro-ondas já era utilizado em radares pelos exércitos ingleses e norte-americanos na época da Segunda Guerra Mundial. O senhor em questão, Percy, engenheiro da indústria armamentista, em um dia qualquer posicionou chocolates perto do dispositivo emissor de micro-ondas. Quando voltou, finalizou a utilização do equipamento e viu que os chocolates haviam derretido, inclusive parte dos que ele guardava no bolso. Levou mais alguns anos – e muitos testes (milho, mais chocolate, comida fria) – para que o primeiro modelo de micro-ondas fosse criado e patenteado por Percy.
 
Mr. Spencer
 
O efeito disto (magnéton)...
 
 
...foi adaptado para mais ou menos isto (a versão original tinha 2m e pesava mais de 300 kg).
 
Ao pesquisar e resolver seu pequeno problema, Percy descobriu outras possibilidades (não ficou rico com isso, mas descobriu). Para análise do comportamento, resolução de problemas pode ser considerada uma categoria de comportamento criativo. Afinal, todo esse processo resulta em um comportamento (s) novo (s), uma forma original de interagir com o seu mundo. Considero essa definição interessante por muitas razões.
 
Primeiramente, a própria diferenciação entre termos: comportamento criativo e criatividade. Parece uma mera questão de nomenclatura. Contudo, uma vez que criatividade é utilizada muitas vezes como um adjetivo, uma propriedade relacionada a outro evento, adota-se, na AC, a nomenclatura de comportamento criativo, esclarecendo-se duas coisas: a) criatividade é um fenômeno natural e b) sua observação é condicionada à presença de padrões comportamentais específicos.
 
Assumir essa nomenclatura (e todos os cuidados metodológicos que ela implica) permite demonstrar que denominações acerca de criatividade se referem a categorias de comportamentos, cuja ocorrência, frequentemente, obedece a padrões mais complexos que os de outros operantes. Ainda assim, friso: mais complexos apenas, sem relações com outros planos, realidades e assim por diante.
 
No que se refere à resolução de problemas, a definição comportamental concebe um problema como uma situação na qual não disponibilizaríamos de um comportamento para reduzir um estado qualquer de privação ou interromper uma estimulação aversiva. Para alcançar uma situação reforçadora, seriam emitidos comportamentos pré-correntes, que consistiriam em manipulações de variáveis, de modo a aumentar a probabilidade de uma resposta, potencialmente reforçadora, ser evocada.
 
Assim, quando não dispomos de uma solução (um comportamento), manipulamos o que for possível (desde comportamentos existentes no próprio repertório até estímulos ambientais) para que, eventualmente, o problema seja resolvido. Mr. Spencer fez isto: testou com outros alimentos, estudou o efeito e conseguiu concentrá-lo em um aparato mecânico útil à vida doméstica (depois de alguns anos de adaptação). O interessante não é o produto final, neste caso a invenção. Mas o que Mr. Spencer, a partir do repertório comportamental disponível, conseguiu propor para o efeito percebido. Agradeço até hoje aos comportamentos pré-correntes deste distinto engenheiro, que me livraram da triste tarefa de esquentar o almoço em frigideiras.
 
Talvez a complexidade e extensão do padrão de ocorrência da resolução de problemas favoreçam algumas explicações recorrentes acerca de comportamentos criativos (comuns nos discursos de alguns artistas): ideias que surgem/emergem/brotam/etc., motivações inconscientes, forças estranhas e por aí vai. O que fica claro em afirmações do tipo é o não reconhecimento de todos os comportamentos envolvidos, na cadeia de manipulação de variáveis, que possibilitam a solução de problemas por parte do falante. O que é compreensível. Nem sempre conseguimos descrever por completo a cadeia comportamental que precedeu algum comportamento. Contudo, para esse tipo de situação, a resposta mais precisa para a pergunta "mas como surgem essas suas ideias tão criativas?"é, também, a mais simples: "não sei". Obviamente, o romantismo e as declarações inflamadas seriam sacrificados em prol desta resposta mais sincera.
 
Felizmente, com o tempo, esse processo de resolução, complexo e longo, se torna menos árduo: progressivamente, aprendemos dicas comportamentais e padrões de resolução, que tendem a ser repetidos ou gradualmente modificados (criando novos padrões), permitindo que outras soluções, para problemas semelhantes àqueles já experimentados, ocorram mais rápido.
 
No caso de artistas, pode não haver um problema explícito, a não ser que consideremos a criação de algo novo um problema. Nesse caso, artistas em processo de criação conviveriam diariamente com problemas. Eles e o resto da humanidade. No caso de cientistas, a produção de algo novo, como o conhecimento, por exemplo, é estruturada com base em seu método, o que torna todo processo de resolução de problemas mais explícito. Isto não elimina a possibilidade de interpretá-lo como um exemplo de comportamento criativo, se um novo comportamento for selecionado. O padrão em questão provavelmente tem o mesmo funcionamento para o cientista e para o artista, embora alguns (cientistas e artistas) relutem em admitir.
 
Até a próxima.



Ícaro Gonzaga
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Referências

De Luna, S.V.; Marinotti, M. (2010). Ensino de resolução de problemas: questões conceituais e metodológicas. Org.: Tourinho, E.Z.; De Luna; S.V. São Paulo: Roca.


Fogaça, J.R.V (2012). Origem e funcionamento do forno de micro-ondas. Disponível em:







I Jornada de Estudos em Psicologia da UFPA


Nos dias 20, 21 e 22 de novembro de 2012 acontecerá a I Jornada de Estudos em Psicologia da UFPA. Neste ano de comemoração dos 50 anos da profissão de psicólogo no Brasil, o tema não poderia ser mais adequado: “Desafios presentes à formação do Psicólogo”.

O evento contará com a presença de convidados de diferentes instituições de ensino superior do Pará e de trabalhos de pesquisadores e profissionais que fazem a psicologia neste Estado.

Esperamos toda sorte a essa iniciativa dos estudantes da graduação que contam com o apoio de professores, da Faculdade de Psicologia da UFPA e da Liga Acadêmica de Análise do Comportamento (LAAC-UFPA).

Confiram as novidades em: http://jepsi-ufpa.blogspot.com

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Evento: I Jornada de Estudos em Psicologia
Local: Auditório Setorial Básico I, Campus Guamá, UFPA, Belém.
Período: de 20 a 22 de novembro de 2012. Das 08 às 18h.
Inscrições: de até . Gratuitas
Submissão de Trabalhos: até 21/10/2012.

“O homem que trabalha perde tempo precioso”


O Ócio Criativo

O sociólogo italiano Domenico De Masi prevê que o mundo caminha inevitavelmente para uma sociedade pós-industrial, onde o trabalho terá uma concepção totalmente nova, desprovida do esforço físico fatigante e repetitivo (que caberá às máquinas) e baseado na produção exclusivamente intelectual (De Masi, 1995/2000).

Em seu livro “O Ócio Criativo”, De Masi discorre que atualmente existem profissões que implicam exatamente em produção apenas intelectual, enquanto outras envolvem muito mais a atividade física mecanicista. No entanto, mesmo o trabalho intelectual está arraigado a uma concepção industrial de trabalho, onde as empresas exigem uma rotina pesada, repetitiva e pouco inovadora de seus funcionários. O trabalhador está destinado a executar tarefas que lhe são designadas não havendo, muitas vezes, espaço para que esse trabalhador expresse suas ideias e contribua de outra maneira com empresa que não fazendo exclusivamente o que seu chefe lhe ordenou que faça.

Em uma sociedade futura, pós-industrial, as atividades produtivas não serão mais condicionadas ao expediente e a tarefas pré-formatadas, mas sim aos momentos que hoje são considerados como tempo livre. Para De Masi, a sociedade do futuro não fará distinção entre trabalho, estudo e lazer. Essas três atividades, hoje regulamentadas para acontecer em horários e até dias distintos funcionarão juntas gerando o “ócio criativo”.

O que é ócio criativo?

O ócio criativo é uma forma de ocupação do tempo que não segmenta a rotina do trabalhador em atividades específicas, mas sim integra todas elas. O trabalho deverá ser um resultado direto do estudo e será executado sem distinção do lazer. Trabalhar será adquirir e produzir conhecimento enquanto se diverte.

Segundo De Masi, o trabalhador fora da rotina de expediente poderá aproveitar muito mais o seu potencial criativo, uma vez que a criatividade é a união entre fantasia e concretude. O ócio criativo é atingido quando o trabalhador dispõe de tempo livre suficiente para sonhar, ter ideias livremente, sem a preocupação de estar atendendo a um dever trancado dentro de um escritório. Mas apenas sonhar não é o ócio criativo. É necessário que o trabalhador que sonha também esteja apto a empreender seu sonho e torná-lo realidade. Essa junção de habilidades é o grande desafio de quem pretende seguir o caminho do ócio criativo.

A Teoria da Geratividade

O psicólogo norte-americano Robert Epstein desenvolveu uma Teoria da Geratividade para explicar o comportamento novo (Epstein, 1996). Segundo sua teoria, o comportamento novo é gerado a partir da competição entre comportamentos já estabelecidos no repertório. Essa competição ocorre através de quatro funções de transformação: (1) extinção, (2) reforço, (3) ressurgência e (4) encadeamento automático.

1) Extinção: quando um comportamento inefetivo em produzir consequências diminui de frequência.

2) Reforço: quando um comportamento efetivo em produzir consequências aumenta de frequência.

3) Ressurgência: quando um comportamento diminui de frequência, outros comportamentos (previamente reforçados)aumentam de frequência.

4) Encadeamento Automático (ou autoencadeamento): quando um comportamento aumenta de frequência, outros comportamentos (previamente reforçados) aumentam de frequência.

Para a Teoria da Geratividade de Epstein, esses quatro processos ocorrem simultaneamente e geram um perfil de probabilidade dos comportamentos que podem ser emitidos em uma dada situação. Esse perfil indica que mesmo o comportamento novo pode ser ordenável e previsível. Isso se aplica também ao que chamamos de criatividade, ou comportamento criativo.

O que é criatividade?

Epstein considera que a criatividade não tem nada de extraordinário. Todas as pessoas são capazes de fazer coisas criativas em menor ou maior escala. O pintor famoso que concebe obras belíssimas de arte plástica é uma pessoa criativa, mas também o é um bebê que descobre ser capaz de andar de ré.

A criatividade é resultado da variabilidade comportamental e da recombinação funcional e/ou topográfica de comportamentos pré-existentes no repertório. De certo modo, tudo que fazemos é, em alguma medida, criativo. A cada nova sentença que escrevemos podemos criar um novo padrão de ordenação de palavras. A posição “confortável” que encontramos para sentar em um móvel ergonomicamente inapropriado pode ser um comportamento criativo. Até a dancinha ridícula que você fez em cima do palco no seu baile de formatura pode ser de grande criatividade, contanto que você tenha produzido um comportamento novo que emergiu da recombinação de diversas habilidades motoras e ritmicas que você já emitia.

Como ser criativo?

Epstein lista quatro estratégias que podem contribuir para você ser criativo:

1) Capture ideias: quando tiver uma ideia, não importa qual seja, onde você esteja, o que esteja fazendo, tome nota. Ainda que pareça uma ideia tola, não a deixe escapar. Salve primeiro e avalie depois.

2) Procure desafios: envolva-se em situações com alto grau de dificuldade de resolução, tente resolver problemas que você não conhece o resultado, arranje oportunidades para fazer coisas nas quais você irá falhar e assim, possibilite a concorrência entre comportamentos, estimulando a variabilidade e a ressurgência.

3) Varie seu ambiente físico e social: mude os objetos a sua volta, exponha-se a novas situações, conheça novas pessoas com costumes diferentes dos seus.

4) Aprenda algo novo: estude temas de fora da sua área, adquira novas habilidades de áreas variadas, torne-se versátil.

A Geratividade do Ócio Criativo

Imagine você mesmo deitado em uma rede com seu laptop no colo, um copo de suco de laranja bem gelado ao seu alcance enquanto você conversa com seu melhor amigo que mora no Japão que acabou de viver seu primeiro terremoto. No dia seguinte, você escolhe trabalhar na sala da sua casa enquanto seu filho monta um lego. Mais tarde você, que é engenheiro civil, tem uma reunião com os sócios da sua microempresa de construção civil.

Um dos projetos em andamento apresenta um problema que a equipe precisa resolver e quando você menos espera, a junção do relato do terremoto no Japão, combinado com a visão das peças de lego do seu filho te dão aquela ideia que vai salvar a empresa de ter um mega prejuízo. Você emitiu um comportamento criativo e ele só foi possível porque você trabalha sob o lema do ócio criativo.

Qual o problema da concepção industrial de trabalho?

Se você passa o seu dia enfurnado sozinho no escritório onde tudo é constante, desde os móveis até a rotina de tarefas, você não tem acesso à estratégia nº 3 para ser criativo (variar seu ambiente físico e social).

Se as suas tarefas são tão constantes, você não poderá interrompê-las para desenvolver uma ideia que acabou de ter e, provavelmente, não lembrará dela mais tarde e assim abortará a estratégia nº 1 (capturar ideias).

Se você não tem tempo nem para suas próprias ideias, que dirá para aprender algo diferente do seu trabalho apenas pelo bel-prazer de descobrir coisas novas e então você fica de fora também da estratégia nº 4 (aprender algo novo).

Se você já não pode dispor de suas ideias, respirar o ar de ambientes diferentes e ter a liberdade de escolher o que prefere aprender a cada dia de sua vida, provavelmente os desafios não serão algo da sua preferência no trabalho e você não fará uso da estratégia nº 2 (procurar desafios).

O ócio criativo estabelece uma rotina em que o trabalhador irá se expor a uma grande variedade de estímulos que induzirão os padrões comportamentais pré-estabelecidos no repertório a entrar em concorrência e gerar novas combinações.

Com a exposição à rotinas diferentes o trabalhador encontrará situações onde há vários estímulos concorrentes em vigor que podem exercer controle sobre uma variedade de respostas funcionalmente e topograficamente distintas e essa concorrência dá-se pelas funções de transformação (extinção, reforço, ressurgência e autoencadeamento), quando diferentes comportamentos estarão sobre controle de um ou mais desses processos simultaneamente.

O ócio criativo é uma forma de variar a estimulação física e social do seu convívio de modo a possibilitar que você: amplie seu repertório, introduzido novas habilidades que não precisam ser direcionadas a um fim específico; tenha tempo para exercer a sua produção intelectual livremente, sem delimitações pré-formatadas que impeçam a sua autonomia; desfrute da companhia dos amigos e familiares em atividades intelectualmente enriquecedoras para todos; e descubra que a derrota pode ser benéfica para aprendizagem.

Eu entrei em contato com a proposta de De Masi em 2002, em uma aula de História do 2º ano do Ensino Médio. A minha professora distribuiu a nós, seus alunos, cópias de uma curta entrevista de De Masi onde ele discorria brevemente sobre o ócio criativo. A prévia que eu li pareceu uma ideia espetacular para mim, tanto que decidi guardar, muito bem guardada, a cópia daquela entrevista. Meses depois, deparei-me com o “O Ócio Criativo” na prateleira de uma livraria e, como dispunha de dinheiro suficiente no bolso para comprar um cd de alguma boyband, sacrifiquei o cd e comprei o livro por R$ 29,90. Dois anos depois estava eu na Universidade lendo sobre um tal de Behaviorismo Radical... e achei que as ideias de De Masi tinham tudo a ver! A empolgação parou aí, mas o livro continuava na prateleira da minha estante, sempre como um norteador das minhas atividades.

Em 23 de abril de 2008 eu criei um arquivo em .doc no meu computador e comecei a escrever umas baboseiras com o objetivo de elaborar um texto que discorresse sobre semelhanças entre o ócio criativo e alguns princípios da Análise do Comportamento e deixei-o esquecido no HD. Dias atrás abri esse .doc, e comecei a editá-lo de maneira que nada sobrou do que estava escrito antes. Hoje nesse .doc consta esta postagem que você está lendo.

Dez anos atrás eu  me deparei com algo que parecia muito útil e guardei o papel que quase todos (ou todos mesmo) os meus colegas de classe jogaram no lixo (e não no chão, espero eu). Se eu tivesse jogado fora também, talvez nem lembrasse do nome do sociólogo, nem da sua proposta e agora você não estaria lendo esta postagem e não ficaria sabendo que nesse exato momento você está praticando o ócio criativo. Isso mesmo! Mas agora feche essa janela e vá transformar algumas funções do seu repertório trocando uma ideia com alguém sobre o que você leu.

Até a próxima!
Rubilene.
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Referências

De Masi, D. (2000). O ócio criativo. Rio de Janeiro: Sextante.

Epstein, R. (1996). Cognition, creativity and behavior: selected essays. Westport, CT: Praeger Publishers.


Nota:  O título “O homem que trabalha perde tempo precioso” é uma frase que pairava na tela do computador de Domenico De Masi na época da elaboração do livro “O Ócio Criativo”, segundo diz-se no próprio livro.